Airbus vence disputa bilionária contra Embraer; influência geopolítica foi decisiva
- Renato Castanho
- 18 de jun. de 2025
- 2 min de leitura
A conexão da diplomacia com a indústria aeronáutica ficou evidente mais uma vez no último mês, quando a Airbus superou a Embraer e garantiu um contrato bilionário com a LOT Polish Airlines, principal companhia aérea da Polônia. O anúncio foi feito durante a abertura do Paris Air Show, uma das maiores feiras de aviação do mundo.
O acordo prevê a aquisição de 40 jatos Airbus A220, com a possibilidade de ampliação para até 84 aeronaves. O valor estimado do contrato é de US$ 2,7 bilhões, segundo a consultoria de aviação Ishka, já considerando os tradicionais descontos do setor.
A decisão representa uma mudança significativa na estratégia da LOT, que historicamente operava com aviões da Boeing e da Embraer. A companhia aérea informou que pretende retirar gradualmente os jatos brasileiros de sua frota.

A Embraer reagiu à perda com um comunicado em que aponta motivações além da técnica. “Entendemos que estamos vivendo em um momento excepcional em que a geopolítica desempenha um papel importante”, afirmou a fabricante brasileira, ressaltando que a manutenção da atual frota teria gerado uma economia de “milhões de euros” para a companhia polonesa.
O aspecto político do negócio ficou evidente na cerimônia de anúncio em Paris, que contou com a presença de autoridades da França, Polônia e Canadá – país onde o Airbus A220 é montado. Entre os convidados estavam um ministro polonês, embaixadores e o ministro dos Transportes da França, Philippe Tabarot, que fez um breve discurso.
De acordo com o analista Nick Cunningham, da Agency Partners, “a concorrência tornou-se muito mais política do que uma disputa comercial comum”, observando ainda que França e Polônia buscam reconstruir laços diplomáticos antes estremecidos.
Outro elemento que pode ter influenciado a escolha foi a recente visita do presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, a Moscou, em maio, para as comemorações do 80º aniversário do fim da Segunda Guerra Mundial. A viagem não foi bem recebida pelo governo polonês, crítico contundente da invasão da Ucrânia pela Rússia.
Indagado sobre o peso da política na decisão, o CEO da LOT, Michal Fijol, evitou comentar diretamente: “Não foi um processo fácil, recebemos duas propostas muito competitivas. Mas estou satisfeito porque a Airbus demonstrou que realmente nos queria como cliente”.




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