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UnionPay chega ao Brasil: a ofensiva chinesa para desafiar Visa e Mastercard

  • Igor
  • 24 de jul. de 2025
  • 2 min de leitura

Atualizado: 30 de jul. de 2025

A UnionPay, maior operadora de cartões do mundo em volume de transações, está se preparando para estrear no mercado brasileiro em 2025. A gigante chinesa promete agitar um setor historicamente dominado por Visa e Mastercard — e chega com uma estratégia ousada e adaptada ao cenário local.

A entrada no Brasil será viabilizada por meio de uma parceria com a fintech nacional Left (sigla para Liberdade Econômica em Fintech), que ficará encarregada de integrar os cartões UnionPay ao sistema financeiro brasileiro. Isso inclui a conexão com bancos, maquininhas de pagamento, sistemas de crédito e, futuramente, o Pix.

A ambição da operação é clara desde o início: até o final de 2025, a função crédito dos cartões já deve estar ativa no país. Além disso, a UnionPay quer garantir uma integração fluida com o Pix, ampliando seu alcance e aderência ao cotidiano dos brasileiros. Mais de 1.500 caixas eletrônicos já estão sendo adaptados para aceitar a bandeira.

Outro diferencial da parceria com a Left é o modelo de impacto social: parte das taxas de transação poderá ser destinada a causas escolhidas pelos próprios usuários. A gestão será transparente, com relatórios abertos e acompanhamento em tempo real — algo inédito entre as grandes operadoras de cartões no Brasil.

Com presença em 180 países, mais de 55 milhões de estabelecimentos credenciados e 150 milhões de cartões emitidos fora da China, a UnionPay já é uma potência consolidada. Em 2024, ela representava cerca de 40% do volume global de transações com cartões, pressionando diretamente as tradicionais operadoras norte-americanas.


Mas o avanço da UnionPay também está ligado a uma estratégia geopolítica maior. A empresa opera com o CIPS (Sistema de Pagamentos Interbancários Transfronteiriços), uma alternativa chinesa ao sistema SWIFT, que reforça a soberania financeira da China e busca ampliar sua influência nos países do Sul Global — como o Brasil.

Na fase inicial da operação, a meta é alcançar cerca de 70% de cobertura em estabelecimentos comerciais brasileiros, com o suporte de empresas como Stone e Saque e Pague. A expectativa é que os cartões UnionPay sejam aceitos em supermercados, lojas, restaurantes e serviços diversos.

Essa movimentação é parte de uma expansão mais ampla nas Américas. A UnionPay já opera com emissão local de cartões em países como Panamá, Equador, Suriname, República Dominicana e Porto Rico. O Brasil, pela sua importância econômica e populacional, é visto como peça central nessa ofensiva.

A chegada da UnionPay representa mais do que a entrada de um novo nome no mercado de cartões. É um movimento estratégico com implicações econômicas, sociais e geopolíticas. Com tecnologia robusta, uma base global consolidada, abordagem inclusiva e total alinhamento com as tendências locais — como o Pix e o impacto social —, a gigante chinesa se posiciona para disputar de igual para igual com Visa e Mastercard.

A paisagem dos meios de pagamento no Brasil está prestes a mudar. E a UnionPay quer liderar essa transformação.

 
 
 

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